“Minutos antes do começo da gravação do Roda Viva no Palácio do Planalto, o jornalista Paulo Markun aproximou-se do presidente Lula para combinar um derradeiro detalhe. Em meio às palavras de encerramento, o âncora diria que estava entregando a Lula uma trilogia com as melhores entrevistas ocorridas desde a estréia do programa da TV Cultura, 18 anos atrás. Com expressão curiosa, Lula apanhou os livros. Antes que se sentisse logrado, Markun informou que só o primeiro volume fora concluído. Os outros, ainda em preparação, paravam na capa. As páginas estavam em branco. Lula devolveu o que estava pronto e folheou os desprovidos de palavras. “Isso é que é livro bom”, comentou. “A gente nem precisa ler”. O entrevistado parecia feliz. Os entrevistadores exibiam sorrisos constrangidos. Ninguém no estúdio improvisado aparentou surpresa. Todos conheciam a aversão de Lula à leitura - qualquer tipo de leitura. “Ler é pior que fazer exercício em esteira”, confessou há tempos o presidente de um país atulhado de analfabetos, com um sistema educacional em frangalhos, incapaz de absorver multidões de crianças traídas”.
O que transcrevo acima é um trecho do excelente artigo do Jornalista Augusto Nunes (clique aqui para ler na íntegra). A velha cantilena dos preguiçosos quando dizem que não estudam porque são pobres; não têm tempo por causa do trabalho e outras desculpas esfarrapadas, não têm qualquer fundamento. Vejo como causa dessa triste realidade brasileira, que tem exemplo no próprio presidente da República, um fator de ordem cultural. O brasileiro é um povo de miolo mole. São espertos apenas para dar trambiques, iludir os incautos ou simplesmente cometer assaltos e assassinatos.Ontem abri um jornal daqui de Florianópolis e deparei com duas páginas contendo matérias sobre assaltos violentos aos turistas que procuram o nosso litoral. Alguns com mortes. Esse comportamento é genético por conta de inúmeras variáveis. A herança cultural joga um papel importantíssimo nessa indolência do brasileiro e nesse seu procedimento cruel. Daí criam essas ridículas cotas para ingresso em cursos superiores. Banalizam o ensino e a carreira acadêmica. Ainda bem que o mercado – satanizado sempre pelos esquerdóides – depois dá uma peneirada, refutando esse monte de imbecis que carregam diplomas de cursos superiores debaixo do braço.
“De acordo com a pesquisa IBPS-JB, que ouviu 1114 eleitores do estado do Rio entre os dias 02 e 10 de janeiro, apesar de ficar abaixo dos 25,7% de Lula, Serra ainda poderá computar grande parte dos votos dados ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que alcança 7,2% dos votos válidos. O prefeito de São Paulo ainda lidera a disputa no interior, que tem 19,8% dos eleitores. É onde atinge 24,6% dos votos, superando Lula, com 20,5% e Garotinho, com 15,5%. A vantagem de Serra se apresenta sobretudo no segundo turno, quando atinge 52,8% do eleitorado, superando Lula com 47,2%. Pelos dados do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social, Serra se beneficia da transferência de 57,3% dos votos de Alckmin, de 45,8% dos votos de Garotinho, 45,8% de Cesar e 23,5% dos de Heloísa Helena. O presidente Lula, apesar de liderar o primeiro turno, cresce pouco no segundo turno. Isso porque apenas 23,8% dos eleitores de Garotinho, 28,8% dos eleitores de Cesar Maia e 38,8% dos que escolheram Heloísa Helena apoiariam a reeleição em um segundo turno”.
O que transcrevo acima, é um trecho da matéria do JB deste domingo. É inegável a boa performance de José Serra. É interessante notar também que a Senadora Heloísa Helena, líder dessa ridícula versão do PT, também está na pesquisa. O que se nota é que essa senadora, mulher estranha, agressiva e raivosa, poderá meter-se no meio na disputa carreando votos que poderiam ser dados a um candidato da oposição com reais possibilidades de derrotar o petismo já no primeiro turno, para liquidar a fatura. Mas não. Já estou vendo Heloísa Helena com seu bando ensandecido pregando o voto nulo num eventual segundo turno. E nós já vimos esse filme. Lembram-se de quando o PT começou (arhg!) a parcitipar de eleições? Bem, e para complicar ainda mais, temos essa candidatura do Alckmin. E como não vê nunca grandeza de espírito da classe política, o pleito não será nada fácil. Clique aqui e leia a matéria do JB completa. E a entrada no JB pela internet é gratuita. Basta cadastrar-se para ter o acesso total a esse jornal.
Está no ar o siteda Comissão Parlamentar Mista de Inquérios - CPMI dos Correios. Mas até hoje continuo achando muito estranho que essa comissão seja presidida por Delcídio Amaral, que é senador do PT. Ora, se os sequazes do PT são os maiores acusados de falcatruas, corrupção, transporte de dólares na cueca e em caixas de bebida cubana; de troca de favores por Land Rover, de caixa dois via Marcos Valério; de empreguismo e vai por aí...seria mais consentâneo com a boa ética que a presidência ficasse com um parlamentar que não fosse do PT. Por mais cara de bom moço que tenha esse Delcídio, o fato é que ele é do PT. Contudo, este é o endereço do site para quem ainda não sabe: http://www.cpidoscorreios.org.br/ . (Obrigado ao blog Marvada Pinga). Escrito por Aluizio Amorim às 04h14
[ ]
[ envie esta mensagem ]
Diz a news-letter com o resumo de Veja que vai às bancas neste final de semana: “o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, é famoso pela temperança e pelo estilo cordato. Mas, nos últimos dias, ele anda irreconhecível. Ameaçou renunciar ao cargo para concorrer à presidência da República. Foi um movimento para tentar encurralar o prefeito José Serra, que também quer se mudar para o Palácio do Planalto”. Esse é o mote da matéria de política dessa edição da revista. Sinal que o comentário que postei abaixo, antes de receber esse resumo, está bem sintonizado com o momento político nacional. Hoje, em conversa informal com um político aqui de Florianópolis, muito próximo às lideranças do PFL, pude sentir que esse lançamento de Alckmin vai mexer forte nas peças do tabuleiro da sucessão presidencial. Vamos aguardar pelo que diz a revista Veja. Esse mesmo interlocutor aventou a possibilidade de que o Presidente nacional do PFL, Senador catarinense Jorge Bornhausen, que foi entrevistado nas páginas amarelas da edição desta semana que se finda, estaria seriamente cotado para uma dobradinha no chapão da oposição, na condição de candidato a Vice-Presidente, o que já foi aventado. Curioso é que o fato de Bornahusen também ser do Sul, não estaria sendo levado em consideração como um fator que pudesse inviabilizar o esquema com um cabeça de chapa paulista. Enquanto a patuléia refrigera-se nas praias de forma lânguida e indolente, as velhas raposas da política vão encontrando as peças desse intrincado quebra-cabeças. Aliás, tarefa exclusiva para profissionais. E Bornhausen encaixa-se perfeitamente no tipo de político que “vive para a política”, coisa muito diferente daqueles que “vivem da política”. Estes últimos, todos nós conhecemos muito bem... Devo esta definição a Max Weber, contida na célebre conferência que pronunciou pouco antes de falecer A política como Vocação, que faz um par com a outra, não menos importante, A ciência como vocação. Seria muito bom que todos lessem o que diz o sábio alemão. Particularmente os políticos. Weber, além de sociólogo era um filósofo avan la lettre e, sobretudo, um politicólogo extremamente atilado. Escrito por Aluizio Amorim às 21h17
[ ]
[ envie esta mensagem ]
MANOBRA DIVERSIONISTA
No calor do verão,
surge o boi de piranha.
“Nos últimos dias, o governador Geraldo Alckmin surpreendeu até mesmo aliados ao abandonar seu estilo discreto e ultrapassar a linha imaginária que dava aos postulantes tucanos à Presidência um respiro até meados de abril para colocar oficialmente o nome na praça. Em uma jogada política ousada - pelo menos à luz do estilão que costuma manter em público -, Alckmin lançou sua pré-candidatura, anunciou que deixa o governo até 1º de abril e entrou em regime permanente para tornar seu nome conhecido o suficiente para alcançar o de José Serra, imobilizado por não poder entrar na corrida agora, apenas um ano depois de assumir a Prefeitura de São Paulo. Ao sair correndo antes de ouvir o tiro de largada, Alckmin luta para virar um político nacional e já dá ritmo de campanha à sua agenda”.
Este é o trecho inicial da abertura da entrevista que Alckmin concedeu à jornalista Angélica Santa Cruz, e que está publicada nesta quinta-feira em página inteira do Estadão. De cara, essa articulação do Alckmin me cheira mal. Se houver uma divisão da tucanada, por certo boa parte do partido irá à desforra. A oposição já é fracote e vulnerável e essa bola dividida poderá torná-la mais débil ainda. Incompreensível, do ponto de vista eleitoral essa candidatura de Alckmin, insuflada artificialmente, já que José Serra é o candidato desse partido mais bem posicionado nas últimas pesquisas. Isso pode ser o começo do fim do PSDB, partido que sempre foi titubeante. Entretanto, tudo fica compreensível levando-se em consideração certas variáveis: quem será o principal beneficiado por essa manobra pró-Alckmin? Sabe-se que os setores ligados à agiotagem institucionalizada rejeitam Serra. A tática então é dividir o principal partido da oposição e alijar o seu candidato com mais chances de derrotar Lula. O objetivo: vença Alckmin ou o candidato da situação, tudo permaneceria como está. Por enquando, o Governador paulista aparece como boi de piranha. Tomara que eu esteja enganado. Para ler a entrevista na íntegra, clique aqui (para assinantes do Estadão).
Apresento para os leitores o meu livro Nazismo em Santa Catarina, Editora Insular, Florianópolis, 2000. Esta primeira edição já está praticamente esgotada e o editor pretende reeditar. Entretanto, a obra ainda pode ser encontrada em algumas livrarias, ou diretamente com a Editora.
O conteúdo baseia-se numa pesquisa que realizei e publiquei em forma de reportagem (série editada em três edições seguidas) em 1981 no jornal O Estado, de Florianópolis. O livro teve ampla repercussão na mídia e o caderno de Fim de Semana, da Gazeta Mercantil, apresentou uma resenha de meia página assinada pelo jornalista Geraldo Hasse.
Na obra, faço uma reflexão sobre o germanismo e suas ligações com o nazismo em Santa Catarina, particularmente no Vale do Itajaí, região colonizada por alemães. Na primeira parte examino aspectos ligados à germanização e faço exame sucinto das circunstâncias históricas que favoreceram o surgimento do nazismo na Alemanha, tais como o nacionalismo autoritário, o pangermanismo, o anti-semitismo e o ressentimento contra as pesadas sanções imposta pelo Tratado de Versalhes, no final da I Guerra Mundial.
No capítulo final reproduzo o texto da reportagem, com alguns acréscimos, enfocando o nazismo em Santa Catarina nas décadas de 30 e 40. E foi nessa época, depois que Getúlio Vargas decidiu apoiar os aliados, que aconteceu uma forte repressão para desbaratar o partido nazista no Estado catarinense. Incluo no livro quatorze fotografias que resgatei de um velho álbum que fazia parte de um acervo guardado pela Política Militar de Santa Catarina.
A idéia de resenhar rapidamente o livrinho e mostrá-lo aos internautas surgiu nos últimos dias, quando verifiquei entradas diárias da Alemanha em meu blog, principalmente da região Rheinland-Pfalz e até mesmo da Universidade de Heidelberg. Acho que o assunto interessará, pois lá há sempre historiadores pesquisando o assunto, além, é claro, dos saudosos daqueles tempos sob o comando do Führer.
Auditoria do Tribunal de Contas da União traz ao conhecimento públicoo que os burocratas do CNPQ – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, estão fazendo com os recursos destinados à concessão de bolsas de estudos para pesquisadores brasileiros. Só no último trimestre de 2004 foram desviados das ações finalísticas pelo menos R$12, 640 milhões. O TCU constatou que os recursos destinados à concessão de bolsas e ao estímulo à pesquisa, estão sendo utilizados para custear gastos com viagens, diárias e até com o funcionamento do Call-center do CNPq. Dinheiro reservado para financiar bolsas de formação e qualificação de pesquisadores foram aplicados no seguinte tipo de gasto: contratação de mão-de-obra terceirizada, aquisição de material de expediente, reformas e manutenção predial, aluguel de imóvel em Brasília, pagamentos de estagiários, entre outras despesas que fogem flagrantemente das ações finalísticas dessa instituição. Mas foi apenas a partir de 2001, ainda no governo de FHC, que essa fiscalização começou a ser feita. Não há, portanto, segundo o TCU, uma contabilização precisa do total de desvios registrados nos últimos anos.
Refrigerante já foi tema de Andy Wharhol, autor da montagem "Silver Coke Bottles", de 1967
A diluição da fama na
fragmentação da mídia
Há uma matéria instigante no vetusto Financial Times, o mais importante jornal de economia e finanças do mundo e que influencia todos os dias milhares de investidores ao redor do mundo. A matéria enfoca uma questão que tem a ver com a diversificação da mídia e discute o fato de que a Coca-Cola não é mais a mesma porque os slogans não pegam. O texto, do jornalista londrino Richard Tomkins, está centrado no fenômeno da multiplicidade das mídias e na dificuldade encontrada para dar efetiva visibilidade para uma marca. No passado, com uma mídia reduzida, a comunicação de massa era muito mais fácil. Os cinquentões e sessentões de hoje ainda sabem cantarolar alguns dos mais famosos jingles. E esse tipo de comunicação praticamente morreu, porque requer alcance de massa efetivo e de forma repetitiva. Tomkins inicia a sua análise a partir da Coca-Cola, porque ela ainda continua sendo a marca mais evidente em nível planetário. E essa marcante presença da Coca não se deu pelo sabor ou pela qualidade do produto. A primeira vez que experimentei este refrigerante na minha vida, exclamei na hora: tem gosto de sabonete. Além do fato de que é uma bebida de uma cor quase preta e com uma espuma marrom. Mas a Coca soube, como nenhuma outra companhia investir num marketing permanente. Nesses mais de 100 anos de vida, a Coca não deixa de anunciar um dia sequer.
Voltando ao texto de Tomkins, diz ele que a fragmentação dos canais de comunicação torna cada vez mais difícil alcançar audiências de massa, enquanto a proliferação de produtos em competição dilui a fama daqueles que antes eram verdadeiras estrelas.Só não concordamos com a sua conclusão, quando afirma que “isso não quer dizer que tudo tenha acabado para os grandes nomes. Basta olhar para o Google, que veio do nada e que, num período de poucos anos passou a competir com a Coca-Cola como a marca mais conhecida em todo o mundo. O Google, é claro, possui um slogan excelente “Don’t be evil” (“Não seja mau”). Mas de maneira muito interessante – arremata – até onde se sabe, ele se transformou no que é hoje sem nunca ter veiculado qualquer anúncio”. Engano. Desde que surgiu, o Google vem fazendo propaganda. Quem está na web sabe disso. Além do mais, passou a oferecer de graça um serviço excelente, tendo inovado radicalmente no que respeita a sites de busca na internet. Com todas as dificuldades e a fragmentação dos meios de comunicação, o velho jargão publicitário, segundo o qual“a propaganda é a alma do negócio”, continua tão verdadeiro como há 100 anos. Que o digam os criativos e competentes engenheiros que inventaram o Google. Clique aqui para ler a matéria completa, só para assinantes UOL.
Temos defendido aqui neste blog que a Petrobras é uma empresa estatal que deve ser privatizada. Há razões de sobra para isso. A primeira delas é a defesa da economia popular porque, afinal, os recursos da Petrobras pertencem a todos os brasileiros. Agora mesmo a estatal resolveu investir no MST, organização extemporânea do ponto-de-vista político porque é anti-democrática. Faz tabula rasa do Estado de Direito democrático. É certo que há injustiça. Mas a maior injustiça é um estado de exceção onde não há direito; ou melhor, onde o direito passa a ser os interesses do déspota. Pois bem, o que a Petrobras acaba de fazer é anunciar na Revista do MST que prega a luta de classes e defende a invasão da propriedade privada. A publicação do MST também sustenta que a saída para a América Latina, é o socialismo. Daí deduz-se que a Petrobras é contra o Estado de Direito democrático e a liberdade individual e não se incomoda em pisotear a Constituição.
Enquanto a classe média é castigada com um arrocho salarial e fiscal, os amanuenses da Petrobras gastam um dinheiro que pertence a todos os brasileiros para financiar um panfleto de um bando ensandecido, que representa o que há de mais retrógrado no mundo. Uma publicação que qualifica de “negócio burguês” o agronegócio, já dá a medida do quanto é nociva para o Brasil essa organização que a edita. E o pior de tudo é que age acobertada pelo Governo petista. Clique aqui e leia a integra da matéria veiculada em O Globo, com acesso livre.
"As análises sobre a crise dos jornais na Europa e Estados Unidos ofuscaram neste fim de ano uma sucessão de notícias indicando que apesar dos prognósticos sombrios muita coisa está mudando na imprensa mundial. Mudanças que apontam cada vez mais no sentido da participação dos leitores na produção e distribuição de informações.O The New York Times (exige cadastramento grátis), por exemplo, é famoso por seu conservadorismo editorial, mas nem por isto deixou de quebrar uma série de tabus durante a cobertura da greve de transportes públicos de Nova Iorque, que deixou quase cinco milhões de pessoas sem transporte durante três dias, no início de dezembro".
O futuro é amanhã mesmo
Clique aqui para ler na íntegra o excelente artigo do jornalista Carlos Castilho, cujo excerto apresento acima, e do qual já falei aqui neste blog. Está implícito nessa análise de Castilho, sempre bem fundamentada, o impacto da internet sobre a mídia convencional, sobretudo a imprensa que necessita de papel. O processo industrial do papel demanda recursos a serem aplicados desde o reflorestamento. Questões ambientais estão envolvidas em todo o processo industrial. O custo é alto e repercute negativamente no faturamento dos jornais. E disso não escapam nem mesmo os monstros sagrados como o New York Times. E até esse ícone do jornalismo impresso está às voltas com estudo que prevê sua transformação em tablóide. Além disso, Castilho nos fala das experiências de jornalismo cidadão. Um está para acontecer na África, com os próprios leitores sendo os redatores e repórteres, recebendo por história aprovada o equivalente a R$ 15 reais. Por isso, repito aqui, é importante a leitura do blog de Castilho, o Código Aberto, para todos que se interessam por esse assunto. Em todos os seus posts sempre traz matérias extremamente atuais sobre o futuro da comunicação. Mas futuro, em tempo de desenvolvimento tecnológico cada vez mais veloz, é amanhã mesmo.
O quadro acima é de autoria do meu amigo MaGenCo, meu médico otorrino há mais de 20 anos aqui em Florianópolis. Mas além de médico-cirurgião excelente, MaGenCo é um craque na pintura, na escultura e nas letras. De quebra, orador brilhante e foi professor da Faculdade de Medicina da UFSC durante longos anos. É autor de vários livros, contendo crônicas, contos e romances. Creio que a maioria não foi publicada. Tem na gaveta um livro e eu já li, pois está formatado e revisado, pronto para impressão, contando umahistória interessantíssima. Trata-se de uma obra robusta, não só na extensão – mais de 400 páginas – mas sobretudo, pelo conteúdo, que se constitui em ficção da melhor qualidade. MaGenCo ambienta a trama no trans-e-pós Segunda Guerra Mundial, mesclando-a com os personagens que cria, levando o leitor a ter a impressão de estar ora na realidade, ora na ficção. Do primeiro capítulo em diante não dá para parar mais. A gente fica preso na história querendo saber o desfecho da trama e do mistério. Título: Conexão Brasil, uma história notável que narra a fuga de um oficial nazista, que também era ladrão de obras-de-arte pertencentes a judeus sacrificados em campos de concentração. Na sua fuga, o nazista escolhe o Brasil para se esconder e vem bater em Santa Catarina. Bom. Não vou contar, é claro. Vamos esperar que alguma editora decida publicar.
O quadro que apresento acima é denominado “prece”. E MaGenCo, no seu blog (link ao lado), desafia os leitores a descobrirem a figura estilizada de um monge em atitude de oração. A técnica é esgrafito, que praticou no início de seus trabalhos de pintura, no nos idos da década de 70. O meio é uma placa prensada e a tinta básica é acrílica. Os traços foram executados – pasmem – com estilete de cirurgia de ouvido. E se prestarem bem a atenção, embora possa lembrar o cubismo, reflete por certo o que MaGenCo cansou de ver pelo microscópio nas cirurgias: os misteriosos meandros do ouvido interno humano. Clique aqui e vá direto ao Blog do MaGenCo.
O que temos dito aqui, chamando a atenção para o fato de que os blogs crescem em todo o mundo e já se transformaram numa mídia tão importante quanto jornais, rádios e televisões, confirma-se todos os dias. Em países de regime ditatorial, como a China, esses novos veículos de comunicação incomodam tanto que o Governo partiu para a censura. A sorte é que a tecnologia complica a vida dos déspotas. Este é o aspecto libertário dos blogs e, por via de conseqüência, da tecnologia. Vejam trecho deste post que está no blog Código Aberto, do jornalista Carlos Castilho:
"Parece incrível. Mas a Microsoft tornou-se mais um grande ícone do capitalismo digital a sucumbir às pressões de um governo estrangeiro para censurar blogs criados por militantes da oposição. Primeiro foi o Google, depois o Yahoo e agora a empresa de Bill Gates. Todos eles resolveram agradar às autoridades de Beijing deixando de hospedar weblogs de jornalistas e militantes contrários às políticas oficiais na China.
Trata-se de uma medida que causa mais dano à imagem das corporações norte-americanas do que aos ativistas chineses porque eles dispõem de milhares de outros serviços de hospedagem de blogs espalhados pelo mundo.
Mostra também como as grandes empresas norte-americanas preferem sacrificar princípios ideológicos em nome dos bons negócios, não importa se o parceiro se proclama marxista e não dá bola para o sistema representativo vigente nos Estados Unidos.A questão da censura na internet ainda é um problema não resolvido. Teoricamente é impossível bloquear comunicações e o livre fluxo de informações através da rede de aproximadamente um bilhão de computadores conectados à internet, porque é impossível fechar todos os canais de comunicação ao mesmo tempo. Isto configuraria um black out mundial na rede, com consequências catastróficas".
Clique aqui para ler esta matéria completa e conhecer o excelente blog Código Abertodo colega e amigo Carlos Castilho. Para quem não conhece, Castilho já esteve nos principais veículos de comunicação brasileiros e inclusive trabalhou na TV globo em Londres por vários anos, apresentando comentários diários no Jornal Nacional. Isso lá pela década de 80. Hoje Castilho reside em Florianópolis. Seu blog http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/blogs/blogs.asp?id_blog=2, dedica-se ao tema sobre o impacto das novas tecnologias, em especial a internet, no âmbito da comunicação em geral e do jornalismo.
A velha, surrada e rabugenta Lei de Imprensa (Lei 5.250 de 09/02/1967), editada pela ditadura civil-militar de 1964, foi invocada pelo professor Luiz Alberto Moniz Bandeira, para requerer – pasmem – direito de resposta em um blog editado por um professor, portanto um colega de profissão do Requerente. Trata-se do Blog do Tambosi, de propriedade do professor Orlando Tambosi, da Universidade Federal de Santa Catarina. Tambosi é jornalista, mestre em Comunicação pela USP e doutor em Filosofia pela Unicamp, tendo militado durante vários anos na imprensa catarinense. E, para lograr seu intento, o professor Moniz Bandeira contratou, nada mais nada menos, que os serviços de um dos mais respeitáveis escritórios de advocacia do país, o Noronha Advogados.
Do episódio, tiro duas conclusões. A primeira corrobora o que tenho afirmado. Os blogs crescem em todo o planeta e passam, cada vez mais, a ocupar o espaço antes monopolizado pelas mídias tradicionais. Não se trata mais de um lócus alternativo. Os blogs estão levantando assuntos e formulando críticas que as mídias convencionais ignoram. E vieram para ficar e já reformulam até mesmo a linguagem jornalística. A internet é outra mídia. O que na mídia convencional pode parecer panfletário e agressivo, no blog pode adquirir status de normalidade, guardada, evidentemente, a observância dos padrões éticos consentâneos com a moral e a lei vigentes. Além disso, abrem espaço para que qualquer cidadão, seja jornalista ou não, possa emitir livremente a sua opinião, sujeitando-se, é claro, à legislação em vigor. O caso em pauta comprova, de forma cristalina o que está acontecendo no âmbito da comunicação e que faz com que as mídias convencionais sofram uma crise aguda. E o que é mais importante: a internet, e os blogs em especial, ampliam o arco de vigília dos cidadãos sobre o Estado bem como ao nível do comportamento social e também no que tange ao fazer intelectual, científico e tecnológico.
A segunda conclusão é que o “entulho autoritário”, representado pela famigerada Lei de Imprensa, continua intacto. Seu anacronismo resulta do fato de que a lei foi criada de forma casuística pela ditadura, com a finalidade única de restringir a liberdade de imprensa, de opinião e de informação e, principalmente, amordaçar os jornalistas. Não se postula aqui a lacuna da legislação nesse aspecto. Mas não se pode concordar com a vigência de uma lei impertinente no que respeita aos cânones da democracia.
Clique aqui e vá direto ao Blog do Tambosi e entenda o que aconteceu.
SE A OPOSIÇÃO FRAQUEJAR, IREMOS TODOS MORAR SOB A LONA PRETA.
As louvações do terrorista ao
governo de Lula. Estamos mal.
O filósofo italiano Antonio Negri, mentor das Brigadas Vermelhas, as Brigate Rosse (que, nos anos 80, assassinaram o premier Aldo Moro, entre outros atos terroristas), escreve hoje na Folha (para assinantes) atacando a imprensa brasileira, louvando a colega filósofa Marilena Chauí - aquela que considera LuLLa o "Esclarecedor do Mundo" - e trombeteando que o Bolsa-Família, o marmitão da presidência para manter no cabresto o eleitorado dos grotões, é "embrião da renda universal”.
Eis o parágrafo inicial do excelente artigo do meu amigo Orlando Tambosi, que está no seu blog. Clique aquipara ler na íntegra.
Nos jornais, nas televisões, afinal, em todas as mídias, só vejo análise positiva sobre a economia brasileira. É como se estivéssemos na Suíça: inflação inexpressiva, preços estáveis e alguns até recuaram.
Há uma verdadeira retomada do crescimento da economia, insinuam certos comentaristas. Por exemplo, veja este texto da Folha Dinheiro: “A valorização do real frente ao dólar levou o IGP-DI (Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna) a encerrar o ano de 2005 com uma inflação acumulada de 1,22%. O resultado é o menor já verificado na história do indicador, que começou a ser calculado em 1944. A marca anterior era de 1998, quando o indicador havia acumulado uma taxa de 1,70%. A taxa acumulada ficou levemente acima das previsões do mercado. Segundo o último relatório promovido pelo Banco Central junto a instituições financeiras, a previsão para a inflação no ano era de alta de 1,16%. A diferença entre as expectativas e o resultado pode ser explicada pelo número de dezembro. Analistas estimavam que o índice ficaria estável, mas houve alta de 0,07%”.
Mas que maravilha! Uma alta apenas de 1,16% na inflação em 2005. Estamos quase no primeiro mundo a julgar por esses índices mentirosos, manipulados e divulgados amplamente pela mídia. O que me admira é que os jornalistas (e eu sou jornalista e sei o que estou falando) que têm um compromisso ético com a verdade dos fatos fiquem alardeando essas mentiras.
A Globo, por exemplo, é acintosa. A Globo News, tem um programa todas as noites, o Conta Corrente, cujo comentarista principal é o George Vidor. E todas as noites ouço aquela lenga-lenga e aquele puxa-saquismo asqueroso, nojento e pegajoso. Chamam aqueles “experts”, os oráculos da economia tupiniquim, para dar as suas opinões. Vozes empostadas, ternos bem cortados, gravatas de seda italiana, denotando um polpudo holerite. São regiamente pagos para mentir, revestindo a mentira com um verniz “científico”, como coisa que economia fosse uma ciência.
Mas do lado de cá, as coisas são completamente diferentes. E o brasileiro sente isso no bolso e na carne. É só ir ao supermercado, a uma loja de confecções ou passar no posto para abastecer o veículo. Ou então ir a uma oficina de reparos ou ver quanto custa umplano de saúde. Hoje mesmo o plano que tenho da Unimed, anuncia um aumento de mais 28%! Ora, que vão para o inferno. Vou à Justiça vetar esse assalto ao meu bolso. Esta é a economia real que a mídia – e o que é pior – os jornalistas, omitem, além do que iludem, mentem descaradamente. São serviçais da especulação, estafetas dos banqueiros. Devem receber mensalão para contar histórias da carochinha todos os dias nas televisões e jornais.
Seguramente, o Brasil está entre os países que detêm o maior número de índices para medir a inflação. E é engraçado que cada um apresenta determinando número. Temos, então, várias inflações no Bananão. Cada uma delas serve para regular determinada relação econômica. Entre os índices que indicam as menores taxas de inflação, inclui-se, obviamente, aquele quefaz o reajuste salarial.
Quem faz a festa são os sequazes do PT, a turma do mensalão e os banqueiros, é claro. E tome índices para para medir a gangorra dos preços: IGP, IGP-DI, IGP-M, IGP-10, IPC-RJ, IPC-Fipe, ICV-Dieese, INPC, IPCA, INCC, CUB - clique aqui para conhecer o que quer dizer e para o que serve cada uma dessas siglas. Entretanto, o povo brasileiro já sabe que é enganado. Sente no bolso o impacto da inflação que corrói o salário. Sabe que não precisa e não acredita em nenhum desses mecanismos criados por algum burocrata cretino e puxa-saco contumaz de quem está no poder.
O relator da CPI dos Correios, Deputado Osmar Serraglio (PMDB/PR), disse hoje, em entrevista à Rádio Eldorado, temer um acordão para impedir a cassação de deputados envolvidos no escândalo de compra de votos. Ele afirma que a população deve acompanhar os acontecimentos para evitar mais atos de corrupção. Para o parlamentar peemedebista, os partidos da base aliada têm força suficiente para dificultar o processo de cassação. Como temos insistido aqui neste blog, a oposição continua contemporizando. O Congresso, o único bastião de defesa e vigilância da Nação está entregue a simples grupos de interesses muito particulares, sejam eles econômicos ou políticos. Contam-se nos dedos os parlamentares comprometidos com o mandato que os eleitores lhes deram. Serraglio afirma o que a maioria dos brasileiros sabe: a CPI dos correios apresenta todas as provas de corrupção e que o Presidente da República precisa ler os relatórios antes de emitir qualquer comentário.
A classe média aniquilada
Um dos segmentos mais castigados por essa triste realidade é a classe média que está praticamente aniquilada pela política de arrocho fiscal. Gravam-se os salários com impostos exorbitantes, como se salário fosse renda ou fruto de especulação financeira. Ora, é resultado de trabalho! Transfere-se a renda da classe média para os próprios parlamentares utilizarem em seu proveito, para financiar as suas campanhas eleitorais. Ou então, diretamente para o Executivo que manipula os recursos tendo em vista um único fim: reeleição. Não há uma voz que se levante contra o imposto de renda que toma mais de um quarto dos salários da classe média. Os que atingem a alíquota dos 27% vêem seus salários minguarem mês a mês, já que há, ainda, uma inflação verdadeira e que ultrapassa os índices oficiais. E o Secretário da Receita teve a desfaçatez de a firmar dia desses que a correção da tabela do IR não é tão meritória. Claro, para ele que está mamando na Receita Federal. Não há salário que chegue para fazer frente aos aumentos dos preços e para pagar impostos e taxas. Além disso, o consumidor brasileiro também é enganado pelos comerciantes, principalmente os supermercados. Preste a atenção: vc não verá nunca um produto com preço estável. Mesmo que o preço de determinado produto esteja estável, eles mudam constantemente, para evitar que o consumidor o memorize. Não há defesa do consumidor e o tal código é cada vez mais esquecido. Está na hora de o Ministério Público dar uma olhada no comportamento dos supermercados e dos comerciantes em geral.
Grotões como salvação do PT
E o governo do PT continua sua ensandecida transferência de salário da classe média para os grotões, através do programa Bolsa Família, que já atinge mais de 8 milhões de famílias, segundo os dados que a imprensa tem divulgado. E o PT feliz da vida multiplica esse número por 5 e tem um resultado aproximado dos números de votos cativos que pretende amealhar na eleição. Se esse programa promovesse realmente a inclusão social, tudo bem. Ma é paternalista. Ao contrário, acomoda os pobres e miseráveis que ficam esperando a cada mês a esmola do PT. Para usar aqui um jargão marketeiro, o PT, com o Bolsa Família, “fideliza” os eleitores dos grotões.
Bastou ser atingido por denúncias de crime financeiroe o Ministro da Fazenda polonês, Andrzej Mikosz, apresentou carta derenúncia. E, se a renúncia fora aceita, será o primeiro membro do gabinete do premier Kazimierz Marcinkiewicz a cair desde que o atual governo polonês tomou posse há dois meses. Democracia é muito bom. E excelente se o sistema for parlamentarista. Não podem pairar dúvidas sobre a honorabilidade dos membros do gabinete. Não é como esse presidencialismo imperial brasileiro. Lá, apenas uma suspeita faz um ministro renunciar imediatamente. Aqui, denúncias inclusive já comprovadas nas CPIs e muitas delas envolvendo o próprio Presidente da República, não causam qualquer abalo. Este presidencialismo brasileiro está mais para o despotismo e na hora de ser revisto, com uma reforma política profunda para acabar de uma vez por todas com esses festival de desfaçatez, com o contumaz assalto aos cofres públicos que ninguém suporta mais.
O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil está estudando medidas judiciais contra a lei federal de inspiração do Poder Executivo que autorizou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a doar uma dúzia de aeronaves T-25 da Força Aérea Brasileira (FAB) - sendo 6 à Força Aérea Boliviana e 6 à Força Aérea Paraguaia. Para o conselheiro federal da OAB por Santa Catarina, o advogado catarinense Jefferson Luis Kravchychyn, que propôs o estudo de medidas judiciais, a doação dos 12 aviões e outros atos que vêm sendo praticados pelo presidente Lula na mesma linha “têm atentado contra os mais comezinhos princípios de direito e da cidadania,dilapidam o patrimônio nacional quando vivemos num estado de necessidade e de miséria”. Jefferson Kravchychyn sustentou que a doação das 12 aeronaves aos governos paraguaio e boliviano - ao lado de atos como perdão de dívidas de países da África e América do Sul, além de financiamentos favorecidos do BNDES a obras de diversos países vizinhos, por meio da lei 11.181/2005, a mesma que autoriza a doação dos aviões -, insere-se na estratégia do presidente Lula “em sua busca desmedida de conseguir uma vaga junto ao Conselho de Segurança da ONU e de firmar uma imagem de estadista”. Kravchychyn propôs também que a OAB faça uma denúncia pública da “irresponsabilidade, imoralidade e ilicitude” que envolvem todos os atos do presidente da República sobre doações de bens do patrimônio nacional. “São bens que não lhe pertencem, mas sim à toda a sociedade brasileira, mas que estão sendo usados no atendimento somente do verdadeiro lobby internacional que realiza em função de interesses que não dizem respeito ao desenvolvimento da Nação brasileira”, afirmou na proposta ao Conselho Federal da entidade.
Leia esta matéria completa no blog do Beto clicando aqui.
O Jornalista Boris Casoy, conta como foi demitido da TV Record por pressão feita contra a emissora pelo Governo do PT, conforme este blog já tinha noticiado e comentado. Em entrevista ao site Portal da Imprensa, o jornalista detalha o que aconteceu. O Governo petista chegou a ameaçar a emissora com o corte de verba publicitária. Vale a pena ler a entrevista. Aqui reproduzo apenas algumas perguntas e respostas. A entrevista foi concedida ao jornalista Pedro Venceslau e pode ser lida na íntegra clicando aqui.
IMPRENSA –Você sofreu muita pressão do governo e do PT?
Boris – Muita... Mas muita mesmo...No começo da administração do PT, pressionaram a direção violentamente para me tirar da Record. Ameaçaram cortar a publicidade. A diretoria me deixou a par o tempo todo
IMPRENSA – E isso acabou?
Boris – Acabou no dia 13 de fevereiro, quando aconteceu o caso Waldomiro.
IMPRENSA – Por que?
Boris – As razões da pressão eram as mais estúpidas possíveis. Eles me atacaram muito no caso do BANESTADO. E agora eu entendo porque... pelo menos eu suponho. Fizeram um grande pressão...Não sei se a diretoria vai gostar... Queriam que eu não cobrisse mais o caso Celso Daniel. E olha que eu cobria de maneira absolutamente neutra. Eu não podia ligar o Roberto Texeira ao Lula. Nem dizer que era amigo do Lula.
(Não resisti. De tão boa que está, reproduzo aqui a crônica de Ivan Lessa, publicada no site da BBC)
Natal é a época ideal para se dar um pau no chato do bom velhinho, vulgo Papai Noel. Dia de Natal, para ser preciso. No almoço de Natal. Se o boneco não deu as caras, ficou entalado na chaminé, ou coisa assim, o negócio é fazer como na maior parte das famílias: partir para o partir a cara. Sair na mão. Dar pernada. Tapa, soco, murro, pontapé. Em quem estiver mais à mão ou mais ao pé.
Papai, mamãe, os irmãos, vovô e vovó, tios, primos, vizinhos, namorada ou namorado. O importante é o espírito da coisa, conforme sabemos todos.
Sejamos natalinamente francos: depois de mais de mês com cidade pintada e fantasiada como uma Jezebel, depois de mais de mês com festas diárias no trabalho, depois de mais de mês com bêbado vomitando ou ao nosso lado ou em cima da gente, depois de mais de mês vendo comercial de perfume na TV pontilhando programas "especiais" chatíssimos, depois… depois… depois…
Só mesmo engrossando no dia 25 dezembro, depois de ter aguentado e tacado goela abaixo vinho danado de desocupado, desses para se tomar debaixo da ponte entre desconhecidos e passado de mão suja em mão imunda.É verdade, eu admito, meu espírito natalino não passaria no exame de admissão. Acontece que a ciência está comigo, ao menos no sentido de que sustenta a tese de que todas as desavenças saídas no dia de Natal são o resultado do almoção.
Os registros policiais não mentem também. A culpa é do peru. Dos acompanhamentos todos. Ah, aquela farofinha de castanha, aqueles legumes, o pirão de batata, o molho de – como é que se diz em português "cranberry"? Só de escrever esses poucos ingredientes, sobe-me o sangue à cabeça e, vermelhão como Papai Noel, vem-me a vontade de tacar a mão em alguém. Qualquer alguém. De preferência, claro, alguém mais velho, mais fraco e mais doente do que eu.
Como disse, a ciência está do meu lado. Mais: sugere um cardápio de Natal alternativo. Salmão defumado em cima de pão "pumpernickel" com creme de queijo "light". E eu lá tenho dinheiro pra salmão, Dona Ciência?
Mais um lenço vermelho agitado diante de meus olhos furiosos: danada de uma vontade de dar uma pernada nesses dietistas todos.
Vão todos se roçar nas ostras. Ostras de Natal, evidente.
Preparem-se. O que já está circulando na internet, na forma de uma mensagem de feliz ano novo, indica que o discurso petista para a campanha eleitoral de 2006 já está pronto, segundo revela o articulista Augusto Franco, do E-agora. O texto, assinado por Jussara Seixas, mistifica, de forma descarada, a realidade da política brasileira, tendo com fio condutor da argumentação o populismo outrora combatido e sempre denunciado pelas hostes petistas. Isto é apenas um aperitivo do que está para acontecer nos dias que começam a correr de hoje até as eleições. Prenuncia-se um duro embate eleitoral, enquanto na calada das festividades de final de ano, das férias de verão, do congresso praticamente fechado e dos preparativos para o carnaval, Lula, o PT e seus sequazes agem. E agem agora não mais de forma ruidosa em passeatas ou discursos bravateiros. Mas no silêncio asséptico e discreto dos gabinetes do poder em Brasília e com a chave do cofre nas mãos. Clique aqui e conheça o conteúdo do discurso que os petistas começam a tecer e onde confundem a opinião pública e tentam passar a impressão de que são vítimas de uma armação, de uma tentativa de golpe. Tudo como se o avassalador mar de lama da corrupção fosse uma quimera.